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Mudando Paradigmas no Glaucoma

Durante muito tempo, o glaucoma foi definido como sendo uma pressão intra-ocular elevada que levava à perda da visão. Durante anos, os oftalmologistas souberam que havia falhas nessa definição, pois muitas pessoas com pressão intra-ocular elevada nunca desenvolveram glaucoma. E muitos, sofreram com a doença, apresentam uma pressão intra-ocular normal ou mesmo baixa.


Como os oftalmologistas têm tentado resolver essas contradições, um novo paradigma para a compreensão do glaucoma vem surgindo e tomando força. O glaucoma agora não é mais visto apenas como uma doença dos olhos, mas sim como uma doença nervosa degenerativa. Hoje, o diagnóstico pode ser baseado em apenas uma evidência: danos visíveis ao nervo óptico. Assim, a pressão intra-ocular está longe de ser um critério que define a doença. Ela continua sendo, no entanto, o principal fator de risco para a doença.


Está claro que o glaucoma começa com uma lesão às fibras nervosas que compõem o nervo óptico e é progressivo. Quando as células ganglionares da retina estão doentes, os axônios longos, células que fazem a ligação entre os olhos e o cérebro, também são afetados, resultando em mudanças no centro de visão do cérebro. O fenômeno, chamado de dano trans-sináptico também ocorre na doença de Alzheimer e na doença de Parkinson.


Especialistas no mundo inteiro ainda estão pesquisando o que causa a lesão inicial no nervo óptico. Embora a pressão intra-ocular elevada claramente aumente o perigo de lesão ao nervo óptico, alguns pesquisadores suspeitam que grandes flutuações na pressão possam ser ainda mais prejudiciais.


Outra culpada pela lesão ao nervo óptico pode ser a pressão de perfusão, ou seja, a diferença entre a pressão dentro do olho e a pressão sanguínea. Uma baixa pressão de perfusão ocorre quando a pressão dentro do olho está elevada e a pressão arterial sistêmica é baixa. Quando a pressão de perfusão cai, não há fluxo de sangue suficiente chegando ao nervo óptico e à retina. A falta de fluxo sanguíneo adequado pode prejudicar não apenas o nervo óptico, mas também os tecidos à sua volta.


Diante destas possibilidades, é possível pensar que algumas pessoas podem apresentar nervos ópticos que são mais ou menos vulneráveis a uma variedade de estresses e mudanças metabólicas. Essa possibilidade levou a uma busca por drogas para proteger os nervos mais suscetíveis à lesões. Vários candidatos promissores estão sob investigação, incluindo uma droga chamada Namenda, aprovada para o tratamento do Alzheimer, e o Rilutek, usado para tratar a doença de Lou Gehrig.


Há um crescente otimismo entre a comunidade científica de que o que funciona para uma doença neurodegenerativa, como estes exemplos sugerem, pode ser útil para as demais. Para os pesquisadores que tentam compreender os detalhes dos distúrbios neurodegenerativos, o glaucoma pode se transformar num modelo de estudo mais fácil do que uma doença do cérebro, como o Alzheimer. O nervo óptico é o único nervo que pode ser examinado visualmente, olhando através da pupila. E o sistema visual é uma estrutura relativamente compacta que os pesquisadores já compreendem completamente.

Por enquanto, os tratamentos disponíveis para o glaucoma trabalham com a redução da pressão intra-ocular, seja através da diminuição da produção de líquido ou aumentando a sua saída. Mesmo em pacientes com pressão intra-ocular normal, apresentando os primeiros sinais da doença, diminuir a pressão tem reduzido significativamente a progressão de dano do nervo.


A maioria dos medicamentos antiglaucomatosos são colírios, que precisam ser usados uma vez ou várias vezes por dia. Quando os colírios não são suficientes, tratamentos a laser e a cirurgia podem ser empregados para permitir uma melhor drenagem do humor aquoso, o líquido que preenche o olho. 


Apesar de contarmos com tratamentos eficazes, muitos pacientes ainda sofrem alguma perda de visão. A explicação para este fato é que, quando está no inicio, a doença pode passar despercebida e não ser diagnosticada. Em todo o mundo, cerca de 60 milhões de pessoas têm glaucoma, esse número deve chegar a 80 milhões até 2020. O pior, neste cenário, é que cerca da metade das pessoas com glaucoma ainda não foram diagnosticadas.


Outro obstáculo no tratamento da doença é convencer os pacientes já diagnosticados a fazer o uso contínuo dos medicamentos. Como o glaucoma é tipicamente diagnosticado antes que os pacientes percebam quaisquer problemas de visão, dizer-lhes que eles podem ter problemas sérios de visão se não usarem os colírios é como dizer a alguém com colesterol alto que ele pode ter um ataque cardíaco, se não tomar uma estatina. Muitas pessoas não levam esta advertência a sério.


Enquanto oftalmologistas no mundo inteiro buscam melhores tratamentos para o glaucoma, as pessoas podem adotar duas medidas muito efetivas em relação à doença: a primeira, fazer um exame anual para o rastreamento do glaucoma, e, a segunda é levar o tratamento a sério, ou seja, usar a medicação prescrita, caso a doença seja diagnosticada.


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